Considerações sobre uma cebola

1 01UTC setembro 01UTC 2009

mandala

Como eram simétricos os círculos da cebola cortada, pareciam ter vida própria, girando… girando, enquanto Fábio sentia-se atraído por aquele movimento que mais parecia querer engoli-lo. O pó de café queimando no pratinho de sobremesa, seu cheiro acre e úmido sobrepondo-se ao da fumaça do cigarro de maconha que havia terminado de fumar.

Foi até a cozinha em busca do que comer,  todos haviam saído portanto estava livre. Foi atraído pela meia cebola roxa cortada sobre a mesa, talvez tenha sido esquecida pela empregada.

Nunca havia percebido a plasticidade daqueles círculos perfeitos, total fascínio, olhava fixamente para eles, a colocou contra a luz e a sua umidade pareceu que a qualquer instante faria brotar água dos intervalos entre um círculo e outro.

Cansou, o braço semi-adormecido o fez desistir, foi até a geladeira e virou todo o conteúdo da jarra na boca, o liquido  escorria pela camisa e pingava no chão formando desenhos líquidos esparsos como lágrimas que saltam de repente dos olhos e não sabem onde cair.

O tique-taque do relógio da parede ecoava por toda a casa como se estivesse vindo de um corredor muito comprido e deserto de assoalho tabuado em madeira escura e clara formando intermináveis zigue-zagues, como os corredores empoeirados dos museus ou das sacristias, onde quando era criança se deslumbrava com a cara dos santos.

Lembrou do cuco que vira num filme no cinema, e esperou que ele pulasse da superfície ovalada da sua tela mental  e informasse as horas, mesmo que ele não tivesse perguntado.

Às vezes é preciso não saber, para que nosso mundo continue preservado, e não tire a cor da esperança que,  por mais inútil que possa parecer e tentemos mata-la, ainda é a última que morre.

Qual a importância de saber as horas se ele não possuía a chave do tempo?

Para quê ter a chave do tempo se não se importava com as horas.

H – O – R – A – S ! Visualizou as horas… Que sentido teriam?

HO – RAS – silabou para si mesmo, o som bateu no relógio e retornou como um alegre bumerangue  ao seu peito.

Porque este nome? HORAS? Se não fosse esse que nome seria? Talvez PRISÃO.

PRI – SÃO – silabou mais alto e desta vez não foi golpeado no peito e sim acariciado na nuca.

Prisão era mais objetivo, palpável, definitivo.

As horas aprisionam a vida com seus dedos finos percorrendo pé ante pé a superfície do relógio, nos aprisiona porque são elas que definem o rumo que damos a nos mesmos. Bem que poderia almoçar na madrugada e surfar a noite. Mas alguém já aprisionado pelos ponteiros, do alto da sua sabedoria disse que a noite era propriedade das corujas, com aqueles olhos muito grandes, lagos líquidos retidos naquelas retinas, elas olhavam sem ver; talvez elas tivessem sido as inventoras dos relógios, queria os homens aprisionados nas barras de ferro do sono ou na ilusão dos sonhos, para que elas pudessem desfilar a vontade desfiando seu rosário de lamentações emitindo seus gritos estridentes ao anunciar a morte dos nossos planos.

Ouvira alguém dizer que morrer é renascer para a vida eterna, então poderia se considerar imortal, pois a cada milésimo do milésimo de segundo morria e não sentia, pois a cada golpe que a vida ou nos dá sentimos que vamos morrer envenenados por nós mesmos, mas  usamos as palavras como antídoto e a dor escondida como remédio.

O perigo maior não é viver e sim acreditar que possa existir vida inteligente num lugar regido pelo coração… Mas tudo não passa de uma grande mentira, vida poderia até  ser uma estrada florida se não tivéssemos a pretensão de querermos usar  o amor como adubo.

AMOR – Se prestasse não era vendido, se fosse verdadeiro teria que ser terceirizado, AMOR  subterfúgio para não deixar um poema sem rima.

Antigamente, com que o amor rimava?

Dor – Ardor – Esplendor – Mulher Amada – Flor de Laranjeira -

E hoje, se globalizarmos o  AMOR  ele rimaria com o quê?

Decepção – Entrega – Contramão – Indigestão.

AMOR

Passagem comprada para uma viagem maravilhosa do tipo bate e volta, com direito a caixas de lenços de papel para que enxugues suas lágrimas, Vick Vaborub para desentupires  o nariz e não enchas o ouvido dos amigos de catarro, chá preto para desinchar suas pálpebras – óculos escuros para não teres que explicar porque de repente você resolver transformar a sua vidinha mais ou menos numa super-produção patrocinada por um paixão desenfreada.

As pessoas se alimentam de explicações, é visceral tudo perguntar e a tudo responder, como se cada resposta influenciasse o no passeio que os astros fazem no  signo de cada um… Nada… Deve ser conjuntivite.

E como seria a vida eterna?

A mãe falava sempre sobre um céu que só ela conseguia ver, ele contava nuvens de carneirinhos e as conduzia com mão longas para seus sonhos…

A primeira vez que passeou de avião,  enquanto a irmã morria de medo, ele palmilhava com olhos sonolentos o céu e quando se viu inteiro no universo  vasto de uma grande nuvem despertou a procura do buraco da fechadura por onde pudesse ver por dentro a vida eterna…

Passada a turbulência e com os pés salpicados do vômito da irmã trazia os olhos virgens de vida eterna e arregalados, logo adiante um céu listrado de azul com dedos brancos, montes, sofás, cadeiras, homens, mares tudo sob forma de nuvem, foi tomado pela alegria de um louco, batia palmas ensandecidos, quis se jogar para cair bem no meio delas… e batia com a cabeça,  futuro depósito de chifres, no vidro.

O médico aplicou uma injeção.

Quando acordou e viu os olhos imaculadamente azuis da avó, lembrou que Gagarin havia dito de a Terra era azul, então tinha conseguido chegar a vida eterna…quase a velha fica caolha… Outra injeção, antes de dormir  ainda ouviu a mãe dizer que toda a criança tinha cara de maluco.

A simetria da cebola mais uma vez o atraiu, ela estava caída no chão como uma mulher gorda, acéfala  e sem pernas, olhava para ela rodopiando tentando se levantar, e a cada tentativa penetrando mais na escuridão do armário,  isento de qualquer culpa, ele não era o inventor das meias cebolas, no mínimo o que conseguia inventar eram as palavras inteiras  para se proteger das meias-verdades. Pegá-la seria se envolver, mas as meias cebolas eram criaturas pegajosas e ele poderia se distrair e se perder no meio daqueles círculos empoeirados. A caridade era a escada iluminada que nos conduziria à eternidade, ouvira o padre dizer, seria caridoso então.

Portanto Senhorita Meia Cebola dos Santos, venha que a colocarei sobre a pia, mas não me toque, cada macaco no seu galho e na pirâmide social somos diferentes, quem sabe o Sr. Alho de Oliveira esteja desimpedido? Ou D. Cenoura da Silva com aquele ar falsamente assexuado…. Ouviu falarem coisas sobre ela que nunca imaginou, naquela tarde que procurava um limão na gaveta da geladeira,  o repolho e a couve… quase ele se mete na conversa…. a opção é de cada um, mesma que seja uma cenoura… Assim como são as pessoas são os legumes….

Pronto lá estava ela, bastava agora ele ir ao correio quem sabe alguém não mandara num envelope a chave dourada da eternidade?

Afinal, ele salvara uma senhorita do ataque noturno das formigas e das baratas, aqueles seres asquerosos que tem a pretensão de resistir às bomba atômica e entram voando pelas janelas e se instalam sem ser convidadas nas gavetas e riem de nós com aqueles dentes marrons e pontudos, mas são colhidas de surpresa e perdem a dignidade mostrando suas entranhas amareladas quando esmagadas por um simples chinelo.

Mas uma vez sentiu sede, o resto da água gelada como ondas apagando a fogueira da garganta;

Estava sozinho como sempre quis estar, todos haviam saído, até a empregada tinha ido ao baile, mas esquecera lá na cozinha o rastro do perfume que lembrava filme pornô exibido em cinema de quinta categoria.

Liberdade enfim.

Sempre achou esta palavra mal aplicada.

LI – BER – DA – DE – por ela se mata e se morre. Uma vez perguntou ao pai, num dos seus acessos de “porquês”, porque as pessoas se casavam, tinham filhos, compravam  casas à prestação se falavam sempre que queriam ser livres?Ele virou a página do jornal como a dizer que ele estava tirando a sua liberdade de ler com aquela tentativa inútil de prendê-lo ao emaranhado de perguntas que só uma mente ociosa como a dele conseguia produzir;

A mãe foi mais cristalina.

Disse que não sabia, perguntou se não tinha nada pra estudar e gritou que desaparecesse da frente dela. Não que ela fosse uma mulher inculta apenas nunca havia se dado conta  que ela era a mais livre de todos eles.Não sabia nada.

Descobriu então que não saber nada era  o caminho, pois a medida em que se sabe cria-se uma prisão feita com as grades do conhecimento… A saída é esquecer o que sabia, e não querer saber de mais nada, tapar a entrada da mente com um grosso cobertor de lã, cerrar os olhos, os ouvidos, o nariz e principalmente a boca, inimiga perigosa. Buscar conhecimento se torna um vício e o cheiro do seu vicio ele escondia por trás da cortina de fumaça do pó de café.

Se o mundo tivesse descoberto o mal que o conhecimento iria causar, Einstein teria continuado sendo um péssimo aluno e daria continuidade a fabricação de aviões e bolinhas de papel, coisas que só os alguns alunos conseguem fazer bem.

Porisso decidiu ser livre esquecendo tudo o que já sabia.

Agora era a fome, uma bola de fogo subindo e descendo pelo estômago, leite, pão, queijo, tudo o que tivesse mesmo gelado…

Viu-se como aqueles meninos da Etiópia com suas pernas ósseas e as barrigas inchadas de vento mostrando o desenho fino das costelas, como pele de zebra, com seus panos imundos cobrindo o que lhes restava de dignidade, olhos baços enxergado em tudo e em todos um prato de comida. Mulheres com expressões de dor e raiva cujos olhos não mais conseguiam transmitir nenhum tipo de desejo e renegavam o próprio desejo representado por aqueles filhos que com suas bocas negras e olhos moribundos  tiravam do seu peito todo o ar na esperança de que jorrasse leite… Mas de pedra nunca jorrou leite e delas o que podia jorrar era a desesperança, pois até a alegria de ver o sol tingir de vermelho as savanas elas já não tinham mais.

A fome lhe tirava toda a possibilidade de enxergar a poesia…

Realmente o mundo era uma grande fossa a céu aberto, e antes que passasse a fazer parte dela,  iria subir para dormir.

O Filho da Mãe

1 01UTC setembro 01UTC 2009

sapatos

Quando Miriam  se deu conta já haviam se passado quase sete anos e Bruno ou Bruninho, seu filho único, seu príncipe encantado, seu pedacinho do céu e mais adjetivos carinhosos com os quais o chamava, precisava de freqüentar a escola.

Procurou ao máximo estender a sua permanência em casa; sendo advogada e professora primária ensinou-lhe a pintar, desenhar,  as primeiras letras, mas como mãe sentia que já havia chegado a hora dele  conhecer outras pessoas e assim cortar a corda umbilical que os ligava.

Mas a simples visão do seu menino  saindo todas as manhãs, sendo beijado e mimado por outras pessoas, fazendo amigos a conduziu ao hospital, acometida por uma violenta crise de falta de ar.

Moravam os dois num apartamento em um condomínio classe média e depois do divórcio, o filho era a única coisa que ela possuía e por isso faria tudo o que fosse possível para mantê-lo junto a si, mesmo que para isso brigasse com o mundo.

Advogada de pouca clientela, se matava de trabalhar, vivia atolada em dívidas, mas para ele nada faltava, não lembrava de ter-lhe negado algum brinquedo, diversão, roupas e mais coisas sem muita utilidade que pedia.

O que ele queria era uma ordem e ela com mãe tinha obrigação de cumprir, para quê servem as mães? Sempre se fazia esta pergunta.

Bruninho não fazia por menos, acostumado a ter todos os seus desejos satisfeitos, a cada dia se tornava mais exigente e quando raríssimas vezes era contrariado, utilizava o artifício eficaz de se jogar no chão como se estivesse tendo ataque epilético ou dramaticamente ameaçava se matar. Isto era o suficiente para ela amedrontada ligar para os amigos em busca de ajuda financeira  e  atende-lo.

Quando iam a algum lugar, só ficavam  o tempo que ele queria pois se fosse contrariado se jogava no chão e ela envergonhada tinha que se retirar. No prédio onde moravam ninguém o convidava para aniversários, principalmente depois da ultima vez que ele quebrou o presente caríssimo que o aniversariante acabara de ganhar; ela o restituiu, mas ficou aborrecidíssima com a vizinha por tê-lo expulsado aos berros de lá.

Brincar no playground? Nem pensar! Só se ela estivesse ficando maluca.

A única vez que permitiu ele retornou minutos depois com o rosto todo arranhado e a camisa deformada, e chorando contou que havia chutado – “sem querer, mãe” o castelo de cartas que as meninas haviam levado horas concentradas montando e que o irmão de uma delas o havia espancado. Irritada foi  ao apartamento da vizinha e armou um escândalo, chutou a porta, xingou, ameaçou de bater no garoto que havia massacrado o seu menino.

Nunca poderia esquecer o que Úrsula, a melhor a amiga dissera, quando ela desesperada por ele ter dito que se ela não comprasse a mochila importada que queria, iria tomar veneno de rato, lhe telefonou naquela noite e contou o que estava acontecendo e em prantos pediu dinheiro emprestado:

-          Você já experimentou meter a mão na cara desse projeto de vagabundo?

-          E porque eu faria isso?

-          Porque se você não o fizer, ele certamente fará com você, projetista de vagabundo.

-          Respeite o meu filho e me respeite!

Desligou indignada com a falta de sensibilidade da amiga em não querer compreender que ele estava atravessando uma fase difícil, era um menino criado sem pai. – nem poderia,  já que nunca havia parido, não sabia o que significava um filho na vida de uma mãe -  Entendia que Edvaldo,  o ex marido era um cafajeste, de vez em quando chegava bêbado em casa ate batia nela, tinha mulheres na rua,  mas o menino sentia falta dele e porisso agia daquela maneira e ela muitas vezes se sentia culpada por ter pedido o divórcio e ate pensava em perdoa-lo para que Bruno tivesse um pai em casa, como muitos meninos que conhecia….

Reconhecia que exagerou um pouco ao ligar às três horas da manhã, sabendo que a amiga era enfermeira e dava plantão em diversos hospitais, e que sempre estava fazendo isso, mas foi a pessoa que pensou no momento, a única que tinha bastante dinheiro e que não poderia negar-lhe este grande favor. E ainda dizia que era sua amiga ate debaixo d’água -  pensava procurando na agenda o nome de alguém mais amigo do que ela.

Lembrava também de uma vez que ele queria um jogo e ela estava completamente sem dinheiro pediu que ele esperasse ate a segunda-feira, era sábado am  noite e depois de uma briga violenta ele ameaçou se matar e foi para o quarto; ela assistindo distraída a tv só percebeu que ele não estava mais por perto horas depois; com o coração aos saltos o procurou por toda a casa, olhou pela janela, foi nos apartamentos vizinhos em prantos, todos solidários passara a procura-lo pelo dependências do prédio,  na rua e não o encontraram; bastante nervosa ela voltou para casa e quando já ia ligar para polícia ouviu um barulho vindo do quarto dele, foi até lá e o viu dormindo tranqüilamente dentro do guarda-roupa com um saco plástico cheio de grandes furos enfiado na cabeça. Embevecida com a visão angelical do garoto, o carregou para a cama enchendo-lhe o rosto de beijos aflitos.

- Ele além de ser inteligentíssimo, é um ator e terá um grande futuro.

Sorriu satisfeita indo para o quarto e antes de dormir, sonhou com ele já homem feito, grande ator, conhecido até no exterior, seu nome estampado nas principais revistas do mundo, entrevistas na tv, sua vida transformada em filme e ela lá toda feliz… Ou então um advogado famoso, disputadíssimo pelos grandes escritórios de advocacia, sendo consultado sobre os mais diversos assuntos, dando entrevistas, escrevendo artigos para revistas especializadas, ela sendo motivo de inveja das amigas, Úrsula envergonhada pedindo perdão por não te-la atendido naquela noite, Edvaldo suplicando de joelhos para voltar, reconhecendo que errou e prometendo que iriam formar uma bela família…

Vencida pelo cansaço dormiu.

Mesmo com o coração apertado procurou uma escola para ele; a diretora muito simpática a atendeu, explicou o funcionamento da escola, a disciplina, reuniões quinzenais, punições nos casos extremos de desobediência ou falta de respeito, não permitia abusos, ela aceitou de pronto afirmando que ele era um excelente garoto educado, inteligentíssimo, obediente e que ela não teria problemas, enquanto isso Bruno repelia com chute certeiro o gato angorá que viera lhe enroscar nas pernas, a diretora o olhou com antipatia e ela percebendo desculpou-se afirmando que ele era alérgico a gatos.

No primeiro dia de aula ele se recusou a  entrar na sala,  se jogou  no chão, olhando de soslaio. mas como percebeu que ninguém o olhava se levantou olhando para os lados e ficou no pátio ate que o sol começou a  incomodar e ele achou melhor entrar. Na sala ficou amuado no canto, não atendia aos chamados da professora, fazia caretas para os colegas, na hora do recreio arrumou uma confusão na cantina, pois queria o mesmo lanche que o menino havia adquirido, rolaram no chão e ambos foram conduzidos à sala da diretora.

E ela recebeu a primeira queixa, foi ate lá, se desculpou prometendo que ele não mais agiria daquela maneira; chegando em casa ele se explicou afirmando que a diretora mentira, que os colegas o maltrataram, que ninguém gostava dele e não queria mais ir para aquele “lugar horrível”. Ela tentou convence-lo e depois de muitas negociações ficou acertado que ele só iria se ela também fizesse o mesmo, e assim durante um ano ela freqüentou as aulas, o que serviu para que os colegas não perdessem a oportunidade de colocar apelidos nele, dentre os quais o de “filho da mãe” a dar-lhes cascudos quando ela, entediada, cochilava.

Quando achou que aquele tempo  fora o  suficiente para que ele se adaptasse depois de prometer-lhe um novo jogo de computador ele passou a  ir sozinho, mas a paz durou pouco, dias depois ela foi chamada em caráter de urgência e a diretora contou que ele havia e recusado a efetuar uma determinada tarefa e ao se ver obrigado a  faze-lo,  havia desacatado a professora com palavrões e gestos obscenos e depois como um louco quebrou a maioria dos vidros da sala se utilizando do apagador e de frascos de tinta e  com jeito feroz ela  comunicou que o estava expulsando e que se dependesse dela ela não estudaria mais em qualquer outra escola daquele bairro.

E de expulsão em expulsão ele concluiu o ensino fundamental, atingiu os catorze anos de idade, deu adeus aos velhos brinquedos e às chantagens; se tornou um adolescente ditador e tirano, arranjou novas amizades, promovia arruaças na cidade, brigava, batia, apanhava,  foi preso por vadiagem, abandonou o ginásio, precisava de tempo para fazer o que mais sabia: Nada.

Miriam não conseguia entender onde errara, sempre fizera tudo o que ele quis, o defendera das pessoas, atendera a todas as suas  necessidades em detrimento de si mesma, fora mais do que mãe, uma verdadeira amiga.

Sentia-se injustiçada e fazendo uma retrospectiva da sua vida percebeu que poucas alegrias tivera durante o percurso, já que ele nunca lhe dera nenhuma,  havia se transformado numa mulher envelhecida pelo sofrimento, triste, solitária, amarga, os amigos a abandonaram, estava falida financeiramente, e enquanto isso ele exigia mais e mais e sentiu medo  do que lhe reservava o futuro.

E observando Bruno no sofá, assistindo pela milésima vez um show de um roqueiro americano. no momento em que ela queria assistir ao ultimo capítulo da novela, achou a vida muito injusta, afinal ela se sacrificara por ele, e o que ganhava em troca? O descaso, o desprezo, não tinha nem o direito de assistir o que gostava… Aquilo era demais.

Determinada desligou a tv, ele a olhou sem entender, reclamou, ameaçou fugir de casa, caso ela não a ligasse outra vez, xingou todos os palavrões que sabia, com o dedo em riste ameaçou bater nela.

Ela impassível segurava o controle remoto, ele se agitava no meio da sala com fera enjaulada, discutiram com dois iguais, ela despejou toda a dor que sentia, sua decepção com a vida e com ele, o único filho, sua esperança… e dramaticamente afirmou que era melhor morrer.

Ele cinicamente perguntou o que ela estava esperando que ainda não tinha providenciado o que achava ser melhor para si.

E lutaram na sala com dois moleques, objetos foram quebrados, ela gritava por socorro, os vizinhos fecharam as janelas, até porque ele poderia não saber por que estava batendo, mas ela, com certeza sabia o porquê de estar apanhando.

Atirada por ele no sofá, percebeu que havia perdido a batalha.

E enquanto ele bebendo coca-cola vibrava pela milésima vez com o solo de guitarra do roqueiro americano, ela chorava baixinho na cama, que é lugar quente,  e alisando a face esquerda dolorida em conseqüência da bofetada que ele: Bruno ou Bruninho, seu filho único, seu príncipe encantado, seu pedacinho do céu lhe dera de presente, lembrou da palavras de Úrsula.

Passeio de Domingo

1 01UTC setembro 01UTC 2009

mulher

O sol naquela tarde era um menino que havia brigado com a chuva e exibia seu riso morno e moleque no meio do céu.

O ar tinha um cheiro de verde-vivo e amarelo-margarida. Um cheiro de alegria nas suas folhas que acenavam felizes para  a tarde, e riam para o pássaro azulão que,  como um grande artista fazia malabarismos nos fios elétricos; para os bem-te-vis que bem viam o que era e o que não era para ser visto e contava a todos em altos brados e  para os sapotis adormecidos nos galhos.

A banda desencantava o universo da música desafinando em uma nota só, distribuindo notas capengas, formando uma canção hieroglífica, mas música é sempre música e ela alegrava as crianças, ao velho sisudo que distraído meneou as ancas, à velhinha que por um breve instante recordou o passado, os bailes pastoris, os desfiles patrióticos e riu o seu riso de alegria guardada; se sentiu feliz como todas aquelas pessoas que vestiram suas domingueiras e por algumas horas procuraram esquecer suas mazelas e decidiram brincar de estar contente.

O cheiro quente e doce da pipoca, as brincadeiras das crianças, o chão coberto de parasitas e folhas mortas, um tapete úmido e perfumado que cumprindo seu ciclo natural de alimentar as arvores seculares.

A mulher muito pálida  que trazia o rosto vincado pelo sofrimento tinha o olhar altivo e digno, as mãos dançavam com se tivessem vida própria e contava para o homem uma estória entremeada de suspiros, explicações e esperas.

O homem enfadado ouvia sem escutar as palavras que ela gotejava nos seus ouvidos; o pensamento estava longe, talvez nos seus próprios problemas, ou nos seios pulsantes da menina que passeava na sombra das árvores; mas como era um perfeito cavalheiro disfarçava a desatenção fingindo olhar para o bico dos sapatos.

E ela gesticulava para ele e uma platéia inexistente, cruzava e descruzava as pernas muito brancas decoradas com veias azuladas…

O vento, entediado, iniciava seu balé silencioso acordando a árvore de cabelos verdes desarrumados que,  espremida entre prédios de concreto fitava com inveja as suas companheiras que livres riam com as folhas.

Os olhos da mulher estavam marejados de lágrimas, a expressão do homem era indecifrável e enquanto isso a banda sacrificava o “Bolero de Ravel”.

Ela tirou da bolsa um papel amarelado e enquanto isso a menina bem cuidada sujou sua roupa de marca no cimento áspero da rampa…

Entregou ao homem que não fingindo  surpresa até sorriu, o desdobrou e leu com a mesma atenção dos que não se interessam pelo rumo da humanidade…

Ela arrumou os cabelos grisalhos, compridos e sem brilho…

Casais se beijavam…

Ela tirou o pó imaginário da saia e olhou em volta como se estivesse cometendo um delito…

Ele nada disse…

Ela  reteve o choro…

A tarde começou a se despedir….

Ela esperou uma resposta, um aceno, um riso do homem que por alguns segundos pensou em ir embora.

E finalmente a banda acertou o passo e iniciou a apresentação

Os dois pecados da menina Deusa

1 01UTC setembro 01UTC 2009

OLHARES PUROS

O pai dela dizia entender mais de mitologia que os próprios gregos, afirmava que quando o bebê nascesse se fosse homem iria se chamar Narciso, e se fosse mulher Deusa.

Eram tantas as deusas que ele não queria correr o risco de ser injusto, por isso generalizava…

A mãe era uma sonhadora, lia até a exaustão todos os folhetins, os romances que lhe caia nas mãos, não perdia uma novela de rádio e entre um suspiro e outro ela nasceu, e na maternidade a mãe vaticinou que ela encontraria um príncipe encantado e viveria um grande amor.

Lembrando das palavras da mãe, Deusa via a batalha das formigas sobre a toalha da mesa; a cozinha na penumbra, migalhas de bolo e grãos de açúcar espalhados. Já fazia tanto tempo que estava ali que nem sabia a hora, o relógio de parede havia parado ao meio dia – ou foi a meia noite?

Elas formavam um labirinto em movimento, criando um desenho sobre o tecido, carregavam minúsculos pedaços coloridos nas cabeças, as menos velozes eram empurradas e voltavam para o fim da fila. Assim como ela que estava sempre sendo empurrada pela vida, com a diferença de que era tão desatenta que nunca sabia onde ficava o final da fila.

Apesar de ter jurado de pés juntos que nunca mais isto haveria de acontecer, mais uma vez havia amado e mais uma vez estava na cozinha quase escura tentando se entender no universo complicado das formigas.

O amor para ela era quase uma sentença da própria morte. Quando estava amando, ensandecida corria pela vida, não podia perder um segundo sequer, sem reservas arrancava as portas, janelas e cadeados do coração e dava o “habite-se” para quem lhe desse um sorriso mais caloroso. E amava sem medida, numa urgência tão grande que nem dava tempo de observar se era correspondida ou não, o amor era tão grande que dava pra dois e ainda sobrava para o lanche.

Era a única maneira que ela encontrou para se sentir viva e não cair nas armadilhas da vida solitária,  precisava da plenitude para justificar as loucuras que trazia aprisionada dentro de si.

Nos raros momentos de sanidade se sentia explorada, prostituída nos seus sentimentos, mas era carente demais para não se dar além do limite, não conseguia ver as reais cores da vida.

É… Mais uma vez se enganara, fora trocada cinicamente por alguém mais jovem e não tão empenhada em amar ao extremo…

Chorou, esperneou, jurou vingança, compraria uma arma iria mata-lo e depois cometeria o suicídio, tentou se vender a ele prometendo isto em troca daquilo, mas amor não se barganha…   Recolheu as unhas, sentou quieta no banco da praça e devorou dois sacos de pipocas doces e coca-cola light para ajudar a descer a raiva.

Por amor ela se deu pela primeira vez e ficou abismada ao sentir o quanto sangrava e doía… Outros vieram e já não sangrou nem doeu tanto.

Chorava nos finais felizes das novelas e livros, não perdia um casamento, mesmo que não conhecesse os noivos, quando terminava a cerimônia era a primeira na fila para cumprimentar efusivamente o casal, os pais, os sogros, até o cachorro se estivesse presente e desejar toda a felicidade do mundo.

Uma vez se deu pro dinheiro, a alguém que dizia amá-la para o resto da vida, a cada encontro recebia um cheque ou um perfume francês. Guardava todos os cheques numa caixinha de sabonete mas um dia estava dura e  descobriu que os cheques não tinham fundos e os perfumes eram falsificados, fez o “grande amor da sua vida” correr nu pela rua tendo atrás de si “Ganimedes”, seu fiel cachorro vira-lata. Despejou os perfumes na pia do banheiro, chorou até fechar completamente os olhos e acabar todos os cinco rolos de papel higiênico do banheiro.

E naquela noite olhando as formigas decidiu que nunca mais iria amar, já que a vida não havia lhe dado de presente as fraldas, os choros, as vacinas, as cuecas para remendar, iria procurar viver.

E saiu pelo mundo, se divertiu, perdeu e ganhou nos cassinos, atravessou o Deserto do Saara montada num camelo, se banhou no Ganges empurrando os corpos que passavam por ela, comprou frascos e mais frascos de Chanel nº 5, se alguém olhou para ela, ela não percebeu, olhava a vida através dos binóculos sentada nas cadeiras de praia dos navios de luxo.

Voltou para casa quando achou que não tinha mais nada para ver, e lembrou que havia esquecido de regar as plantas.

Numa tarde ensolarada, uma amiga, virgem por falta de opção e religiosa fanática por falta de objetivo na vida resolveu visitá-la.

A conversa era morna e entediante como a tarde: lembranças dos tempos idos, quem casou, quem morreu, quem deu, quem ia levar pra São Pedro, a mudança dos tempos, versículos da Bíblia, Salmos, Provérbios, entre uma xícara de chá e sequilhos açucarados ela ouviu a voz de cigarra no cio da amiga dizer que ela de todas era a pior das pecadoras, pois sempre se comportou como uma messalina, e já havia  cometido todos os sete pecados capitais.

Mas se ela quisesse, poderia se arrepender e mudar de vida, ainda era tempo, e batia na peitaria com os olhos vidrados e molhando as páginas na Bíblia com uma baba cheia de pedaços de sequilhos…

Deusa estava cansada demais da viagem para fazer qualquer coisa, deixou que a amiga representasse o papel de salvadora da humanidade enquanto pensava – logo ela, que era conhecida como “Didi, mãos de seda”, pelo sucesso que fazia junto aos garotos no escurinho do fundo da igreja.

Gargalhava por dentro.

Quando achou que já tinha visto e ouvido o suficiente, revidou sem palavras, apenas levantou a saia…

E ainda rindo da cara de espanto da ex-amiga, ao notar que ela havia esquecido de vestir a calcinha, concluiu que ela ainda estava em desvantagem, pois dos sete pecados capitais ela só havia cometido apenas dois: a gula de viver e a inveja dos que amavam.

O pecado era o irmão mais velho da culpa e ela era filha única, portanto, tudo era uma questão de ponto de vista.

As contribuições da Lei 10.639/03 para a Educação das futuras gerações.

1 01UTC setembro 01UTC 2009
meninas
Desde o período da escravidão que o negro era visto com características inferiores, sendo utilizado como instrumento de trabalho e gerador de renda para os senhores em alguns ciclos econômicos da nossa história, uma ”peça” na engrenagem econômico-social do país.

A Abolição da Escravatura, longe de representar a liberdade efetiva, estreitou ainda mais os laços que os mantinha presos a uma sociedade predominantemente branca, poderosa e com uma grande carga de preconceito,

E para os negros recém libertos, de que adiantava uma liberdade se não tinha condições de ser livres? Livres de quê e para quê se não tinha qualificação profissional, instrução suficiente para lutar pelos próprios direitos e durante anos e anos de trabalho não conseguiram recursos suficientes para se manterem fora dos limites das senzalas; motivo pelo qual muitos negros libertos preferiram permanecer no local onde fincaram suas raízes de esperança de dias melhores; outros deambulavam pelas ruas como pedintes; e grande parte, principalmente em Salvador, foi empurrada para os locais mais distante, longe dos olhos dos senhores, a exemplo do bairro da Liberdade que tem a maior concentração de afro-descendentes do país.

E durante muitos anos o negro continuou sendo visto como exótico, mão de obra barata, objeto de desejo devido a idéia de que os negros e negras são mais ativos sexualmente que os brancos, – amplamente preconizado na obra Casa Grande & Senzala, Gilberto Freyre, dentre outras; e mais outras qualificações que longe de inseri-lo na sociedade contribuiu para que permanecesse à margem dela, excetuando alguns negros que conseguiram ascensão social,

Este cenário começou a mudar com o surgimento de grupos de luta contra o preconceito e a favor da elevação da auto estima do negro ao buscar resgatar a identidade e a valorização da raça.

A Lei nº 10.639/03 ao determinar a inclusão de História da Cultura Afro-Brasileira e Africana no currículo escolar do ensino médio e fundamental na rede pública e particular de ensino, buscou corrigir uma injustiça histórica e abriu mais espaço para a discussão sobre a discriminação racial e incentivou o maior contato com a riqueza da cultura africana e afro-brasileira e a sua contribuição na consolidação da nossa sociedade, estimulando a reflexão sobre a condição no negro no contexto histórico, social e econômico brasileiro, e principalmente reconhecer e valorizar nos colocando no mesmo patamar das demais culturas a sua contribuição o fomentando o reconhecimento e valorização da sua identidade.

Mas são vários os desafios para o profissional de educação e para a instituição escolar:

· Capacitar os educadores para que repensem a visão que possuem do racismo, ideologias, preconceitos, cultura, gênero e estereótipos, bem como prover a formação teórica referente aos temas propostos.

· Adaptar os livros didáticos a esta nova realidade, uma vez que os livros tradicionais falam de uma cultura diferente daquela que sabemos existir.

· Impedir em sala de aula e por extensão, na família – já que a tendência do aluno é reproduzir na escola aquilo que aprende em casa – as tentativas de desqualificar a raça negra com atitudes de intolerância velada, o que se faz presente em determinadas expressões verbais, anedotas, ditos populares, criticas.etc

A Lei 10.639/03 contribuirá para o resgate da tradição e da valorização da identidade negra, e este conhecimento da cultura a partir da educação fundamental auxiliará a formar uma geração na qual o aluno afro-descendente passará a mirar-se mais positivamente na história de seu povo e poderá reivindicar conscientemente o direito à igualdade nesta nação que os seus ancestrais ajudaram a formar.

Grácia Passos

Politicas Públicas x Inclusão Social

1 01UTC setembro 01UTC 2009
meninos2As nossas políticas educacionais são ações, a princípio bem intencionadas, pois visam permitir o restabelecimento de uma educação plena.

Algumas características:
  • Tornar a educação democrática e acessível a todos.
  • Valorizar o profissional da educação
  • Maior transparência nas ações implementadas pelo governo

As três características listadas acima possuem interligações se considerarmos a educação como algo macro e que ultrapassa as decisões que são tomadas nos gabinetes passando a ser um resultado da vontade política dos nossos governantes que deveriam enxerga-la como a base do desenvolvimento humano, pois não se pode esperar que um povo sem educação tenha noções de saúde, direito, cidadania e que com isso engrossem as estatísticas alarmantes de subdesenvolvimento e de uma maior consciência do nosso povo no sentido de cobrar uma educação de qualidade e talvez num caráter extremamente saudosista, a valorização do ensino nas escolas públicas como ocorria em tempos idos onde as pessoas tinham orgulho em terem sido alunas de algumas instituições.

A educação de qualidade não está acessível aos de baixa renda, haja vista a qualidade de ensino das escolas públicas, o alto índice de evasão escolar, repetência e defasagem idade série. Fato que raramente ocorre nas escolas particulares onde o dinheiro dita as normas e a educação se faz na sua forma mais efetiva e são estes alunos que tem maior possibilidade de um futuro com todas as condições garantidas, principalmente no que diz respeito ao saber e ingresso ao mercado de trabalho.

Referindo-se a questão da valorização do professor percebe-se que diversas ações são implementadas principalmente no que tange à sua formação através de cursos, inclusão digital, acesso às novas tecnologias, mas tudo isso esbarra na questão da remuneração e mais uma vez fica evidenciada a questão da vontade política, pois se os nossos governantes levassem a educação a sério, certamente os professores seriam melhores remunerados.
Percebo que por mais que o professor seja bem intencionado, tenha paixão por aquilo que faz, ou encare o ato de ensinar como uma missão, é difícil disseminar conhecimento, formar cidadãos ou mostrar aos alunos que com a educação tudo é possível, pois ele fará a diferença na sociedade, se muitas vezes a sua remuneração é insuficiente para atender à maioria das suas próprias necessidades.

Deve-se cobrar maior transparências das ações educacionais implantadas pelo governo, e neste aspecto a ação do povo é fundamental através do acompanhamento e da cobrança da aplicação dos recursos, ocasionalmente são prestado contas, mas sabemos que nem sempre é o que parece ser, a exemplo de uma escola do interior do nosso Estado, cujos alunos estudam sob uma tenda e o Secretário da Educação daquela cidade alegou que “ tinha professor, tinha alunos… então era uma escola” não soube informar onde foram aplicados os recursos enviados pelo Governo.

Acredito que estas características podem impactar no modelo de inclusão social implícito nas Políticas Educacionais.

Grácia Passos

Educação e Politicas Públicas

1 01UTC setembro 01UTC 2009
meninas brance e negra
Ocorreram diversas mudanças no cenário histórico do nosso país, principalmente no campo educacional, o que impactou na criação de várias leis e decretos, que significaram a inserção de recursos institucionais e pedagógicos com o objetivo de cumprir o fim a que se destina a educação..

Em virtude da grande extensão territorial, a diversidade social, econômica, cultural e um certo desinteresse político, ao não enxergar a educação como meta prioritária, estes fatores influenciam na adoção e cumprimento de ações de políticas públicas, a exemplo do Fundeb implantado em 2007 e abrange a Educação Infantil (incluindo creches), o Ensino Fundamental, Médio e a Educação de Jovens e Adultos os recursos serão distribuídos entre as etapas de ensino com base em coeficientes, definidos por uma Junta de Acompanhamento formada por gente do MEC, do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), que como ação tem bons propósitos mas não a garantia de que todos serão contemplados.

E sendo a educação um direito fundamental, universal inalienável e constituir-se num dever do Estado, deve ser entendida como instrumento de formação e consolidação dos direitos individuais, coletivos e a cidadania, devendo preparar o cidadão e a sociedade para a responsabilidade de construir, coletivamente, um modelo de inclusão e de qualidade social para o país.

Ao Estado cabe a responsabilidade de assegurar e a cada cidadão o direito de exigir educação de qualidade, social, igualitária e justa através da criação de órgãos e estratégias eficientes e transparentes para cumprir o dever a ele atribuído pela Constituição.

A qualidade de forma global implica em promover educação com padrões de excelência e adequação aos interesses da maioria da população, tendo como valores fundamentais: a solidariedade, a justiça, a honestidade, a autonomia, a liberdade e a cidadania, e como conseqüências, a inclusão social, através da qual todos os brasileiros se tornem aptos ao questionamento, à problematização, a tomada de decisões, buscando as ações coletivas possíveis e necessárias, dirigindo-se ao ser humano como um todo considerando todas as dimensões de sua relação com o mundo.

Grácia Passos

O texto, a linguagem, a língua, a fala e o discurso

1 01UTC setembro 01UTC 2009

quadro colorido

O texto é uma manifestação verbal formada por elementos lingüísticos selecionados e ordenador pelo autor; unidade básica de organização e transmissão de idéias, conceitos e informações, compondo-se apenas uma parte explicita, pois a outra está subentendida, cabendo ao leitor fazer-lhe a interpretação e dar-lhe os mais diversos sentidos.

Nem tudo o que escrevemos pode ser considerado texto, pois para ser considerado como tal o mesmo deve possuir: coesão e coerência, progressão, informatividade, intencionalidade e intertextualidade.

E além da matéria escrita temos as manifestações artísticas representadas pelos quadros, esculturas, colagens, placas de sinalização, linguagem dos sinais, fotografias, filmes. Elementos que também trazem mensagens e geram sentidos; o texto sempre revela a visão do mundo a partir da realidade construída pelo autor, seja de forma intencional ou não.

A Linguagem é um sistema formado por unidade lingüística que tem significante e significado, exercendo a função de promover a comunicação entre os indivíduos, sendo também a representação do mundo em que fazemos parte, refletindo o que queremos dizer.

A lingua é a entidade única que delimita uma comunidade lingüística e propicia o desenvolvimento da linguagem.

A fala é a capacidade ou o uso da capacidade de emitir sons em algum padrão;

O discurso é uma exposição metódica sobre certo assunto, e objetiva influir no raciocínio, nos sentimentos do ouvinte ou leitor.

Desta forma a linguagem é a forma mais ampla da comunicação enquanto que a língua, a fala e o discurso são elementos que a subsidiam.

Grácia Passos

Técnicas e Aperfeiçoamentos Tecnológicos

1 01UTC setembro 01UTC 2009

aabacus

Iniciando com a descoberta do fogo que tornou viável a implementação e desenvolvimento de várias técnicas, seguida pela roda que deu continuidade ao processo de autonomia humana e demais invenções e surgimento de técnicas relevantes e necessárias ao desenvolvimento da humanidade, em cada ciclo histórico as técnicas e os aperfeiçoamentos tecnológico das invenções contribuíram para o surgimento de grandes possibilidades para a raça humana, promovendo mudanças tão sutis quanto foram graduais a adaptação.

Novos usos, novos costumes, novas formas de interagir com o mundo e sua tecnologia.

Se a comunicação em tempos idos se processava a passos lentos atualmente que dava a impressão de que a terra não saia do lugar, hoje se realiza de forma tão veloz que nos atordoa diante de tantos aperfeiçoamentos técnicos que contribuem para a proliferação de tantas informações que precisam ser digeridas, para que nos sintamos inseridos num contexto social e não sejamos visto como “seres estranhos” e desinformados; tudo nos conduz a um processo permanente de aprendizagem, pois é imprescindível acessar, conectar, adequarmos à realidade, ao conceito virtual de existência e a partir daí criar novos redutos de conhecimento e de troca de informações, a exemplo dos ambientes virtuais de aprendizagem, os sites de relacionamento, os chats, etc.

Tudo o que experienciamos atualmente é uma conseqüência das técnicas e aperfeiçoamentos tecnológicos que proporcionou um grande desenvolvimento em todos os campos do saber humano, onde laços foram estreitados, e contribuiu para o surgimento de uma sociedade potencialmente dinâmica, onde a tecnologia aliada à comunicação criou uma extensa rede de informações capaz de informar, atualizar, entreter, gerenciar a nossa vida e promoveu mudanças fundamentais nos nossos valores, comportamentos e expectativas.

Grácia Passos

Criança, Teatro e Escola

1 01UTC setembro 01UTC 2009

palhaço

A criança, ao começar a freqüentar a escola, possui a capacidade da teatralidade como um potencial e como uma prática espontânea vivenciada nos jogos de faz-de-conta, desta forma o ensino da arte é fundamental para o desenvolvimento da percepção criativa da criança.
Cabe à escola oferecer recursos para a aquisição da linguagem teatral, buscando e incentivando as potencialidades da criança, dando-lhe a oportunidade de se apropriar de forma critica e construtiva dos conteúdos sociais e culturais e favorecendo imaginação, percepção, emoção, liberdade de atuação, intuição, memória e raciocínio.
Como a escola é um espaço de conhecimento e aprendizado, é papel do/a educador/a, compreender a atividade teatral como uma combinação de atividades que conduzirão ao desenvolvimento global do/a aluno/a, um processo de socialização consciente e crítico e uma experiência que faz parte das culturas humanas, e sobretudo a sua prática deverá ser voltada para orientar o desenvolvimento do/a aluno/a nas séries iniciais e ressaltar a importância do olhar crítico para a descoberta da arte.

Grácia Passos


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.